Bernard Wosien (1908-1986)  

 

  

 

  Nasceu em 19 de setembro de 1908 ,filho de Antoinette Linda, descendente da nobreza e retratista e de um pastor evangélico, que, dentre outras qualidades, era músico e bom dançarino que, certamente, influenciou direta ou indiretamente a formação artística de WOSIEN.
Estudou no ginásio humanístico sendo preparado para seguir a carreira de pastor. Mas, desde a adolescência sua inclinação pelo canto e pela dança aflorava.

 

Em 1923, iniciou-se na dança clássica participando do balé Junge Bühne (O Jovem Palco), sob a direção da mestra de balé Helga Sweedlund em Breslau, ensaiou com Oskar Schlemmer, Triadisches Ballet (O Balé Triádico).
Estudou Teologia na Universidade de Breslau, porém não concluiu o cursou.
Viajou pela Suécia, Noruega, Dinamarca e, depois, pelo sul da Inglaterra e Roma.
Estudou na Academia de Arte de Breslau, mas a profissão de bailarino já era latente. Conseguiu uma vaga como assistente de Jürgen Fehling e conheceu os melhores artistas teatrais de Berlim. Em seguida, tornou-se bailarino, bailarino solista e coreógrafo no Teatro Estadual de Berlim.
Participou do programa de treinamentos do grupo de balé de Lizzie Maudrik.
Partiu para Augsburg, onde foi contratado por von Millos.
Em 1936, de volta a Berlim, dançou em frente aos degraus do altar de Pergamon, perante o Barão de Coubertin. Em seguida, estreou como primeiro solista do Teatro Estadual de Berlim. 
Tornou-se professor de dança na Escola Estadual de Teatro e ao lado de Gustav Gründgens e criou a coreografia de Fausto I e Fausto II.
Já, em 1942 debutou como mestre de balé e dançou a parte solo com Liena Gsovsky.
Em plena Segunda Guerra Mundial, estava como coreógrafo no Teatro Estadual de Stuttgart e abria a temporada com Feuervogel (O Pássaro de Fogo).
Os anos de 1948 a 1958 foram os tempos áureos para WOSIEN como bailarino e coreógrafo. Trabalhou com Oskar Fritz Schuh e Herbert Von Karajan, através da encenação da ópera de Gluck, Orpheus und Euridike (Orfeu e Eurídice).
Em seguida, partiu para Dresden e assumiu a encenação do balé de Sergej Prokofieff, Soluschka – Aschenbrödel (A Gata Borralheira) e dançou representando o príncipe.

 

Foi convidado por Jurij Winar a pesquisar a Arte Popular Sérvia. Desde então, WOSIEN entregou-se totalmente às danças de diferentes povos, resgatando sua cultura, seus costumes, seus mitos e rituais.
A partir de 1960, passou a dedicar-se à pedagogia na Escola Técnica para Estudos Sociais em Munique e depois, na Escola Popular Superior, liderando um grupo de pesquisa sobre as danças de roda dos países do Sudoeste Europeu.
De 1965 a 1986 ocupou um cargo como docente da Universidade de Marburg, na área de Ciências Educacionais no Departamento de Pedagogia para Escola para Excepcionais, sob a designação “Procedimentos Especiais da Pedagogia da Cura”, ensinando as danças de roda como meio da Pedagogia de grupo.

No ano de 1976, a pedido de Peter Caddy, desenvolveu um trabalho espetacular na comunidade de Findhorn, no norte da Escócia, ensinando um grande repertório de danças folclóricas. Lá, encontrou raízes antigas da arte de re-ligar o ser humano. Desde então, essas danças passaram ser designadas por “Danças Circulares Sagradas” ou simplesmente, “Danças Sagradas”, pois conciliava corpo e alma, realizando uma comunhão entre a autocompreensão, no ser humano como imagem de Deus.

 


Dessa forma, WOSIEN atingiu a plenitude através da dança de Roda: alegria, amizade, amor, integração entre as pessoas, doação e confraternização silenciosa, amorosa e intensa.

Estas danças prosperaram, espalharam-se e foram divulgadas por todo o mundo até os dias atuais, como um exemplo de rede internacional de meditação pela dança.
 

O homem manifesta-se através de diversas linguagens.
A comunicação dos bailarinos com o mundo é expressa através de uma linguagem não verbal, mas, silenciosa – a linguagem da introspecção, da revelação e do sublime em forma de entrega, conhecimento e oração.
A dança compreende a linguagem universal, a integralidade entre matéria-espírito, concreto-abstrato, sensível-idealializado, profano-sagrado, delimitando a dimensão temporal e espacial, mas atingindo a plenitude associada ao mágico e ao êxtase.
O corpo é uma preciosidade física com qual experimentamos a vida e a dança completa essa experiência, porque é a arte do movimento e os movimentos falam.
Para o bailarino, o corpo significa totalidade: templo, moradia e instrumento. Refere-se à compreensão da realidade como um todo integrado, um todo cósmico, onde os elementos participam de inter-relação e correlação permanentes, entre si e com o todo, nos processos de composição e decomposição, transportando-o a autodescoberta.
Para atingir a epifania, corpo e espírito, têm que estar em equilíbrio e harmonia e, para tanto, é necessário tempo, experiência e meditação na dança. É o momento em que o artista se transforma na própria natureza unindo técnica (apolínea) e a emoção (dionisíaca) e

“dão asas ao homem, que dança no meio e através do Orfeu mortal (...) e exprime sua aspiração na melodia de sua voz.” (WOSIEN.2000.p.30)

fonte: http://valiteratura.blogspot.com/2010/12/danca-um-caminho-para-totalidade.html